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Thomas Mald

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Como o mundo pode “quebrar”, Thomas faz política com a sua arte

Foi na Suécia "fora da zona de conforto", que encontrou espaço para se dedicar ao que realmente o move: as intervenções. Thomas Mandl está, de momento, a desenvolver o projecto "What Else Europe" e defende a união como forma de progresso

Texto de Ana Rita Carvalho • 07/07/2017 - 15:12

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Thomas Mandl tem 26 anos e uma colecção de projectos em mente. Apresentou, no 180 Creative Camp, dois deles, ambos com um propósito político. “O meu interesse pela política e geografia, no geral, começou através dos meus estudos. Estudei Geografia e Política em Munique e na Suécia, mas quando me mudei para a Suécia, em 2013, de repente, fiquei com muito tempo livre.” Esse tempo livre, fora da sua zona de conforto, fez com que Thomas percebesse que “o mundo pode, a qualquer momento, quebrar”. E, por isso, o artista alemão decidiu agir e intervir.

 

“Na realidade, foi na Suécia que tive tempo para experimentar coisas diferentes, para fazer mais do que apenas estudar. Mas, ao mesmo tempo, os meus estudos acabaram por ter um importante papel na minha percepção do mundo”, explica. Começou a trabalhar em fotografia há já doze anos, tendo colaborado com a Sony e com a Nike. O que acabaria por não o deixar muito satisfeito. Sentiu-se “rotulado” e, por isso, decidiu despedir-se e dedicar-se ao que realmente o move: as intervenções a nível político, social e económico. “A política surge sempre associada ao meu trabalho”, afirmou.

 

O primeiro projecto que apresentou no Jardim da República, em Abrantes, foi realizado em Maio de 2016: a campanha de Trump Make America Great Again recorreu a diversos produtos chineses e, por isso, como forma de oposição, Thomas criou uma t-shirt com o slogan Make China Great Again e fez questão que a sua produção fosse feita nos Estados Unidos (como um género de inversão à campanha do actual Presidente dos EUA). A mensagem foi simples e resultou: “Esta é a minha ideia, mas todos podem imprimir este cartaz e afixá-lo”. A oposição gerou resposta um pouco por todo o mundo. Viam-se cartazes com a imagem que Thomas havia lançado em Berlim, Estocolmo, Seattle e até em frente à Casa Branca. Donald Trump venceu as eleições e o sentimento que prevaleceu foi o de luta. “Não resultou, mas pelo menos tentei lutar contra o que não achava correcto”, disse em conversa com o P3.

 

Criativos europeus, unam-se

O segundo projecto está ainda a decorrer e chama-se What Else Europe. “Este é o meu projecto mais complicado”, confessou o artista. Foi em 2015 que começou a trabalhar a ideia. Na altura, não passava de um “protótipo”, sem imagem, sem nome, sem direcção definida, apenas com um objectivo: a união.

 

Agora, a iniciativa decorre uma vez por ano, em várias cidades europeias. Em 2016, seis criativos uniram-se durante uma semana em Veneza, Itália. Este ano a cidade escolhida para receber 11 jovens "cheios de ideias e projectos" foi o Porto. Tudo para juntar as mais criativas mentes europeias e, através desse encontro, procurar, discutir e sugerir o que é e no que se deve tornar o continente no futuro. Afinal, “o que é a Europa agora?”.

 

O What Else Europe pretende impulsionar a ideia de que todos os criativos europeus, independentemente da área, devem, juntos, inspirar, criar e promover a ideia de “união e igualdade”. Promover os valores da União Europeia, “especialmente a ideia de paz”, através da criação de redes e amizades são os principais objectivos.

 

“Temos de nos conectar”, sublinha o autor do projecto independente. “É um orgulho dizer que sou europeu e, enquanto europeu, também sou um bocadinho português”, brinca. “Não tive de trocar o meu dinheiro, não me viram o passaporte: eu não sou daqui, mas sou.” E esta a mensagem de união que o What Else Europe quer transmitir.

 

O 180 Creative Camp conta ainda com intervenções de Inês Nepomuceno, Moriz Oberberger, Javier Penã Ibáñez e Diogo Aguiar. Até ao dia 9 de Julho, há ainda tempo para o filme Veja, não mexa e a actuação da Academia de Músicos de Abrantes e do Conjunto Corona.

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