Trocam-se os blocos do bairro pelas casas com horta à porta

autoria Tiago Ramalho

// data 22/12/2017 - 17:34

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São moradias? São apartamentos? É um meio-termo. A horta à frente de uma casa térrea, sem a aparência de uma linha de apartamentos encaixotados uns nos outros, confere aos lotes do Bairro Padre Cruz, desenhados por uma equipa de três arquitectos, uma desconstrução daquilo que esperamos de um bairro social. “Desmonta-se uma barra contínua com as pequenas praças, que são os quintais das casas”, explica Alexandre Dias, um dos fundadores do gabinete Orange Arquitectura. Juntamente com Bruno Silvestre e Luís Spranger, Alexandre Dias é um dos criadores do projecto que figura entre os 62 finalistas do prémio internacional de excelência RIBA, nos quais se incluem também outros dois representantes portugueses (e lisboetas): o MAAT e o GS1.

 

Há uma preocupação em todo o espaço para a vertente sustentável e para a acessibilidade. Desmistificar e transformar os típicos blocos de apartamentos em casas com hortas à porta torna o ambiente familiar, combinando isto com as várias exigências que a Câmara Municipal de Lisboa tinha para os lotes experimentais que a equipa desenhou. A materialidade era um dos pontos mais relevantes para que a manutenção fosse barata — ou “perto do zero”, como diz Alexandre — e por forma a criar aquilo a que chama “envelope térmico”, não havendo problemas com o aquecimento da casa.

 

“Quebrar a monotonia do que associamos a um bairro social” era o ponto fulcral. E aqui as acessibilidades jogam a favor da quebra visual, com 16 das 20 habitações a terem acesso directo à rua. Depois entra a questão da sustentabilidade, também garantida. A optimização da exposição solar contribui para o tal “envelope térmico”, ao qual se somam os reservatórios de água, distribuída pelas casas dos próprios lotes. Tudo pensado para criar um protótipo a ser replicado no Bairro da Boavista, um projecto ganho em concurso em 2013.

Eu acho que