Deficiência

Ricardo não pode estudar porque a estação de metro não é acessível

Ricardo Barata quer ir para a universidade, mas a falta de um elevador na estação de metro da Cidade Universitária não o permite

Texto de P3/Lusa • 14/03/2018 - 13:05

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Ricardo Barata terminou o 12.º ano, mas a falta de transporte e estações de metro acessíveis para uma pessoa numa cadeira de rodas impedem-no de ir para a universidade. Em declarações à agência Lusa, o avô, Victor Barata, resume o drama do neto: "O Ricardo nunca perdeu ano nenhum, passou sempre com boas notas. E agora fez o 12.º ano e não consegue entrar na universidade por causa dos transportes". Isto porque a estação de metro junto à universidade não tem elevador.

 

A viver em Odivelas, nos arredores de Lisboa, Ricardo esteve esta terça-feira, 13 de Março, junto à entrada do Metropolitano de Lisboa na Cidade Universitária para demonstrar as dificuldade de acesso — enquanto centenas de jovens saíam das aulas e desciam as escadas para a plataforma, o jovem não tinha a mesma possibilidade. A iniciativa pública, organizada pela Associação Portuguesa de Deficientes (APD), em conjunto com a Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa, representa uma tentativa de Ricardo prosseguir os estudos. 

 

O jovem de Odivelas, como contou aos jornalistas Ana Sezudo, presidente da APD, contactou a associação para "tentar perceber que trâmites teria de seguir para conseguir chegar à faculdade", depois de ter pedido ajuda às câmaras de Odivelas e de Lisboa, "que lhe deram uma resposta negativa". Sem ajudas, "tentou perceber qual o percurso acessível a nível de transportes públicos", mas se na estação do metro em Odivelas há elevador, tal não acontece na estação da Cidade Universitária. 

 

A associação contactou então os ministérios da Educação e do Ensino Superior, a secretaria de Estado para a Inclusão e o Instituto Nacional para a Reabilitação. Ainda não recebeu qualquer resposta. "Estamos aqui para denunciar", revela a dirigente. "Este é apenas um exemplo, mas é um exemplo para muitos outros que existem nesta cidade, muitos cidadãos com deficiência que acabam por ter as suas vidas limitadas porque os serviços públicos não estão preparados", disse Ana Sezudo, também ela de cadeira de rodas, à porta da estação do metro da Cidade Universitária.

 

Situação "não é única"

A responsável explicou que "infelizmente a situação não é única", que são poucas as estações de metro com elevadores e que os que existem estão muitas vezes avariados. Quanto às lacunas de acessibilidade nas estações, a empresa justifica com constrangimentos financeiros, acrescentou Ana Sezudo: "Depois de quase 20 anos de legislação sobre acessibilidade em Portugal, manter situações deste tipo... E esta estação é um exemplo porque no ano em que foi inaugurada já existia legislação sobre acessibilidades. Não há sequer essa desculpa, já devia estar há muito tempo adaptada".

 

Os cidadãos com incapacidade física do interior do país, ressalva, ainda vivem situações piores, pois os transportes públicos não estão preparados, isolando-os ainda mais. As duas associações decidiram, por isso, juntar-se e exibiram faixas a pedir mais e melhores acessibilidades, uma forma de sensibilizar para o problema, ainda que poucas pessoas tenham, aparentemente, prestado atenção à iniciativa. 

 

Ricardo Barata gostava de estudar Ciência Política e até já escreveu uma carta ao Presidente da República a falar-lhe do seu caso. O avô tem esperança que tudo se resolva e que, no próximo ano, o neto possa entrar na universidade. Caso não consiga, "será mais um que vai ficar em casa, sem aprender mais nada".

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