Ser lésbica e “profundamente cristã” é um dilema para Halea

autoria Ana Marques Maia

// data 01/02/2018 - 17:45

// 15530 leituras

Em Greenville, na margem do rio Mississipi, nos sul dos Estados Unidos da América, é possível sentir no ar "o odor do almíscar, do fumo de cigarro, da carne que grelha num quintal, da magnólia que está à soleira de uma porta"; nas imagens do fotolivro Gravity Is Stronger Here, da fotógrafa Phyllis B. Dooney, também. A vontade de conhecer em profundidade a cultura do sul do país levou Phyllis a dedicar-se, durante cinco anos, ao retrato de Halea Brown e da sua família.

 

O primeiro encontro da fotógrafa com Halea aconteceu num bar de karaoke local, em 2012. A jovem de 18 anos, então vestida como Justin Bieber, conversava afectuosamente com a sua namorada, Destiny, antes de subir ao palco e interpretar assertivamente uma canção do rapper Eminem. A sua atitude aguerrida, em contraste com a ternura anteriormente manifestada, impressionou Phyllis, que decidiu abordá-la. No dia seguinte, a fotógrafa de New England estava na casa dos Brown, onde passou a ser presença assídua.

 

"Os Brown sonham alto enquanto lutam contra a pobreza e contra padrões domésticos que se repetem", pode ler-se no comunicado de imprensa da editora Kehrer Verlag. Nas fotografias, descritas como "cinemáticas e ambíguas", estão patentes os problemas de adição de estupefacientes de alguns membros da família, assim como os seus problemas amorosos, relacionais e domésticos; as dificuldades económicas, os dilemas identitários — que se prendem sobretudo com questões de orientação sexual e religiosa — também estão explícitos. "Halea é lésbica e é profundamente cristã; as duas características entram, por vezes, em choque. A mãe Brown sente amor pela filha e, ao mesmo tempo, fé e amor por um Deus evangélico; há, na relação entre elas, violência e ternura, esperança e desespero." 

 

O projecto Gravity Is Stronger Here é composto também por elementos multimédia — que podem ser vistos no website oficial — e por poemas escritos por Jardine Libaire a partir de entrevistas realizadas aos membros da família Brown. O trabalho de Phyllis B. Dooney já conheceu publicação no New York Times, American Photo, The Atlantic e The Washington Post. A sua conta de Instagram pode ser vista aqui.

Eu acho que