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Nina Vigon Manso

Nina Vigon Manso é Cientista Social, Activista e Entertainer

O excerto

Entre 1988-2008, as mulheres portuguesas que trabalhavam no sector privado mais do que duplicaram, as trabalhadoras com um nível de ensino superior passaram de 3% para 17% e ultrapassaram em número e em percentagem os homens com o mesmo nível de habilitações

Maria Objetiva

Feminismo

Feminismo: é preciso combater a desigualdade social e de género

Com o mesmo nível de habilitações, os homens ganham sempre mais do que as mulheres. E quanto maior o nível de habilitações, maior é a desigualdade entre sexos

Texto de Nina Vigon Manso • 06/03/2015 - 17:20

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Ultimamente, em Portugal, são muitas as pessoas que dão voz a causas nobres e que defendem direitos de minorias injustiçadas e discriminadas. Há uma solidariedade e um activismo crescente e relevante para a (r)evolução do país. Por outro lado, parecem existir muitas querelas entre as vozes que defendem uma mesma causa. O ruído permeia a solidariedade e o activismo, medem-se forças e a divisão instala-se. Urge fomentar e clarificar o diálogo sobre o feminismo em Portugal.

 

São várias e diversificadas as iniciativas e os movimentos feministas, com algo válido a dizer, assim como os números apresentados pelos estudos. As desigualdades sociais aumentam e as mulheres estão sempre entre os grupos mais afectados pela pobreza.

 

Na lista que ordena os países em função das diferenças observadas entre o que ganha um homem e uma mulher por tarefas semelhantes, Portugal situa-se como o 97.º país com maior disparidade mundial. Quando se analisam os números nas profissões mais qualificadas a desigualdade aumenta; em 2013, Portugal tinha o 109.º maior hiato salarial.

 

Entre 1988-2008, as mulheres portuguesas que trabalhavam no sector privado mais do que duplicaram, as trabalhadoras com um nível de ensino superior passaram de 3% para 17% e ultrapassaram em número e em percentagem os homens com o mesmo nível de habilitações, de acordo com Margarida Carvalho, do Observatório das Desigualdades (2010). As mudanças não foram acompanhadas por uma igualdade de remuneração entre homens e mulheres. Com o mesmo nível de habilitações, os homens ganham sempre mais do que as mulheres. E quanto maior o nível de habilitações, maior é a desigualdade entre sexos.

 

Os movimentos feministas têm um papel crucial no combate à desigualdade social e de género. O caminho a desbravar é tenso e carece de um apoio consciente e crescente da sociedade civil, das instituições públicas e privadas, com e sem fins lucrativos.

 

A desigualdade existe, é real, logo, as movimentações e sinergias justificam-se. Os números falam por si e à medida que a disparidade aumenta os problemas sociais associados à desigualdade de género também. O movimento feminista em Portugal existe, tem vindo a ganhar cada vez mais visibilidade, tem reunido pessoas de áreas multidisciplinares, permitindo o debate em várias frentes. Contudo, continua muito aquém das metas pretendidas: igualdade de género, de oportunidades, o fim da disparidade social no geral, passando, entre várias coisas, pela igualdade de renumeração entre homens e mulheres.

 

É imprescindível uma acção feminista destemida, assumida e concertada. Diálogo e partilha de forças. ‘Diz-me quanto ganhas e dir-te-ei como és?’ Não. Todas as pessoas têm algo para dar e receber. Na mesma moeda.

Eu acho que
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