Quando se levam animais ameaçados na mala

autoria Nuno Rafael Gomes

// data 19/12/2017 - 15:55

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A taxidermia costuma ser associada ao estudo científico, a exposições, sendo também uma importante ferramenta para a educação ambiental. No entanto, os artigos apreendidos pela polícia britânica em inspecções aduaneiras, no aeroporto de Londres-Heathrow, mostram o outro lado dessa história. A cabeça de um urso-pardo distingue-se entre as de outras espécies, dispostas umas ao lado das outras. Vêem-se ursos-negros, cujo estado de conservação é “pouco preocupante”, mas que estão cada vez mais ameaçados. Encontram-se também os seus primos do Árctico, os ursos polares, cujo estatuto de preservação, segundo a World Wild Life (WWF), é “vulnerável” — há entre 22 mil e 31 mil animais desta espécie no mundo.

 

Há ainda produtos medicinais na lista dos artigos confiscados (e expostos pela força policial numa alfândega, perto do aeroporto). Um dos exemplos é a bílis de urso, que pressupõe a criação de animais em cativeiro para lhes ser retirado o fluido digestivo. A espécie mais usada é o urso-negro-asiático (pela disposição geográfica, uma vez que as “quintas” de extracção de bílis se espalham pela China e pelo Vietname), mas há registos de ursos-malaios ou ursos-pardos em cativeiro. A bílis é utilizada na medicina chinesa e estima-se que existam mais de 12 mil animais desta espécie em “criação” nestes espaços. Nos últimos anos, contudo, têm surgido centros de resgate de ursos, como o de Chengdu, na China, segundo o AnimalsAsia; um casal português, inclusive, fez um projecto de sensibilização sobre estas práticas cruéis.

 

Para além disso, também há escamas de pangolim apreendidas, que o Independent diz ser "o animal mais ilegalmente comercializado". Segundo dados da WWF, as oito espécies existentes deste animal têm um estatuto de preservação que varia entre “vulnerável” e “ameaça crítica”. No role de itens exibidos pela polícia constam também produtos ornamentais ou para uso diário feitos de marfim, cuja venda será proibida na China (onde há o maior mercado ilegal da matéria) a partir de 31 de Dezembro, botas em pele de cobra ou ossos de tigre esmagados. 

Eu acho que